Estava uma tarde demasiado bela para me entregar à inércia, dirigi-me sozinho até à praia, quando chegei ao sítio do costume, sentei-me, pus a cabeça entre as mãos e desatei a rir. No fundo, acho que só o aspeto poético das coisas me interessa, em última instância apenas há uma linguagem, a da verdade e não podemos parar de a procurar.
Algumas horas depois, o horizonte estava completamente fechado, o vento uivava furiosamente e ria-se da malícia que pintaria as minhas alegrias futuras, a humanidade dormia, era noite. Nessa mesma madrugada, senti de novo o imperioso desejo de estar com ela. Nunca até aquele momento me tinha sentido assim, enquanto sentado me convencia a mim próprio de que seria uma fraqueza temporária, daquelas que se curam num fim de semana. Mas bastou recordar a curva dos seus lábios, excepcionalmente vivos e arrebatadores para saber o quanto estava enganado.
E finalmente enquanto a beijava, uma enorme vaga de tristeza percorria o meu corpo, ao passo que abria novamente caminho até aos seus absorventes lábios, censurava-me por ter demorado tanto tempo em a encontrar.
Mais tarde comprendi, que ela tinha vindo para evocar aquela história, a única que os bardos cantam, e que os poetas recitam, a verdade é que sempre acreditei nela, mesmo sem a ter ouvido.
Quando tudo estava mergulhado na escuridão, um luar magnífico ilumina a minha expressão e sempre dominado pelo ancestral sonho que me costumava provocar pânico, fechei os olhos e decidi seguir aquela alma intimamente humana, mas que irradiava uma luz etérea e angelical, ela sorriu e eu fui atrás. 😉
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