Estava uma tarde demasiado bela para me entregar à inércia, dirigi-me sozinho até à praia, quando chegei ao sítio do costume, sentei-me, pus a cabeça entre as mãos e desatei a rir. No fundo, acho que só o aspeto poético das coisas me interessa, em última instância apenas há uma linguagem, a da verdade e não podemos parar de a procurar.
Algumas horas depois, o horizonte estava completamente fechado, o vento uivava furiosamente e ria-se da malícia que pintaria as minhas alegrias futuras, a humanidade dormia, era noite. Nessa mesma madrugada, senti de novo o imperioso desejo de estar com ela. Nunca até aquele momento me tinha sentido assim, enquanto sentado me convencia a mim próprio de que seria uma fraqueza temporária, daquelas que se curam num fim de semana. Mas bastou recordar a curva dos seus lábios, excepcionalmente vivos e arrebatadores para saber o quanto estava enganado.
E finalmente enquanto a beijava, uma enorme vaga de tristeza percorria o meu corpo, ao passo que abria novamente caminho até aos seus absorventes lábios, censurava-me por ter demorado tanto tempo em a encontrar.
Mais tarde comprendi, que ela tinha vindo para evocar aquela história, a única que os bardos cantam, e que os poetas recitam, a verdade é que sempre acreditei nela, mesmo sem a ter ouvido.
Quando tudo estava mergulhado na escuridão, um luar magnífico ilumina a minha expressão e sempre dominado pelo ancestral sonho que me costumava provocar pânico, fechei os olhos e decidi seguir aquela alma intimamente humana, mas que irradiava uma luz etérea e angelical, ela sorriu e eu fui atrás. 😉
Segue o teu Caminho.
Vejo pessoas à minha volta adormecidas por uma alarmante e despreocupada inércia, não só de ações mas também de pensamentos e de ambições, arrastadas para um destino ordinário de concordância e de aceitação, todos merecemos algo melhor, mas para isso temos a obrigação de tomar as rédeas da nossa vida e de lutar pelos nossos sonhos.
Demorei muito tempo para compreender que tudo se resume ao "amor", essa visão misteriosa de promessas perdidas, envoltas num oceano de interrogações, essa aparição dantesca de prazer que nos murmura um lânguido e inebriante grito escondido!
Eu já conheci o amor, essa força misteriosa que move o universo, essa jocosa promessa de felicidade que nunca se concretiza, esse trepidante sentimento de urgência que só saciamos ao devorar a presença. Eu ainda acredito nele, no seu poder e no seu fascínio, o contrário seria impensável...
No fundo, o fundamental é a nossa capacidade de compreender e de filtrar o que realmente importa, a felicidade no fundo nunca pode ser um destino mas sim um caminho, o amor faz parte do nosso percurso de aventuras, desventuras, alegrias e tristezas e nunca podemos desistir desta aparentemente inalcançável utopia. Ao esperar o melhor da raça humana, estando ao mesmo tempo cientes do seu pior, não temos outra solução senão partir, sem medo de ser felizes e embarcar nesta fugaz, mágica e deliciosa jornada que é a vida.
O futuro parece sempre tão distante, no entanto a imperdoável cavalgada do destino acelera o seu passo a cada dia, a cada minuto, a cada segundo, a prudência recomenda a que as escolhas sejam feitas, a inércia é a nossa maior inimiga. Citando Jean-Paul Sartre, podemos afirmar que ser é escolher-se, e no fundo o mais importante é isto, escolher, não deixar que ninguém o faça por nós, tomar as rédeas da nossa vida e bem ou mal trilhar o nosso caminho com segurança e esperança num brilhante destino.
O mistério da vida e da nossa existência encerra um conjunto de capítulos que se repetem e nos levam a refletir sobre qual é afinal o sentido deste jogo divino, onde o nosso papel não passa de uma página em branco com vários pontos de interrogação e muitos de exclamação.
Temos de enfrentar esta jornada com esperança, e aproveitar a beleza e a felicidade que os pequenos momentos encerram.
Começar de Novo.
É fundamental saber quando chegamos ao fim de uma etapa, um dos maiores erros que podemos cometer é tentar ignorar os sinais evidentes de que um ciclo chegou ao fim e prolongar o inevitável.
Encerrar um ciclo, terminar um capítulo ou deixar uma pessoa, pode ser uma das decisões mais difíceis que algum dia teremos que tomar, no entanto a inércia é inimiga do sucesso, temos de descobrir forças para deixar o passado, exatamente onde ele pertence, no passado e só depois enfrentar o futuro com confiança.
O grande problema é saber quando é o fim de um ciclo, na minha vida tenho tido uma enorme dificuldade em desprender-me do passado e abraçar com todas as forças o amanhã , a verdade é que não é fácil, especialmente quando o passado nos traz boas recordações e quando temos medo do incerto e do fracasso. A estagnação acaba por ser uma reflexão exagerada sobre qual o próximo passo a tomar e ela pode gerar um mal estar contagioso que nos impede de virar a folha e de seguir adiante.
Não há nada mais ingrato do que insistir em viver uma vida que já não existe, dai a fulcral relevância dos rituais de separação e libertação. Não é por coincidência que todas as sociedades possuem rituais e cerimonias que marcam a transição de uma etapa para outra, estas manifestações de transição simbólica, são interpretadas pelo nosso cérebro como atos reais, que permitem uma metamorfose completa das nossas atitudes e uma nova postura perante o nosso destino.
Por isso é tão importante deixar ir embora, soltar o antigo, aprender as lições para não repetir os mesmo erros e abraçar o novo, mudar de casa, de cidade, de país, de amor, de amigos, viver sem reservas. Os que forem indispensáveis continuarão a sê-lo, independentemente do rumo que a nossa vida levar.
Cada ano novo é uma oportunidade para filtrar o que queremos manter na nossa existência e renovar o nosso guarda roupa e a nossa alma, ao mudar hábitos nefastos e começar um novo capítulo entenderemos por fim que nada é impossível e que afinal essa palavra utópica chamada "Felicidade" sempre esteve ao nosso alcance.
O grande problema é saber quando é o fim de um ciclo, na minha vida tenho tido uma enorme dificuldade em desprender-me do passado e abraçar com todas as forças o amanhã , a verdade é que não é fácil, especialmente quando o passado nos traz boas recordações e quando temos medo do incerto e do fracasso. A estagnação acaba por ser uma reflexão exagerada sobre qual o próximo passo a tomar e ela pode gerar um mal estar contagioso que nos impede de virar a folha e de seguir adiante.
Não há nada mais ingrato do que insistir em viver uma vida que já não existe, dai a fulcral relevância dos rituais de separação e libertação. Não é por coincidência que todas as sociedades possuem rituais e cerimonias que marcam a transição de uma etapa para outra, estas manifestações de transição simbólica, são interpretadas pelo nosso cérebro como atos reais, que permitem uma metamorfose completa das nossas atitudes e uma nova postura perante o nosso destino.
Por isso é tão importante deixar ir embora, soltar o antigo, aprender as lições para não repetir os mesmo erros e abraçar o novo, mudar de casa, de cidade, de país, de amor, de amigos, viver sem reservas. Os que forem indispensáveis continuarão a sê-lo, independentemente do rumo que a nossa vida levar.
Cada ano novo é uma oportunidade para filtrar o que queremos manter na nossa existência e renovar o nosso guarda roupa e a nossa alma, ao mudar hábitos nefastos e começar um novo capítulo entenderemos por fim que nada é impossível e que afinal essa palavra utópica chamada "Felicidade" sempre esteve ao nosso alcance.
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Bom Caminho. Valença - Santiago de Compostela.
Na ânsia de perceber melhor a nossa condição humana e de entrar em contacto com a linguagem do universo e com a espiritualidade latente d...
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